Freguesia
A Villa da "Vitória" de João Metódio
 
 
Já arrancou a construção da segunda fase do projecto da Villa Vitória, na praia das Paredes, a cargo das Construções João da Cruz Metódio. Este projecto, que vem enriquecer a praia “de eleição” do empresário pataiense, engloba três blocos compostos por 26 apartamentos. E a esta segunda fase junta-se a primeira, já concluída, e composta por cinco blocos compostos por 39 apartamentos e sete lojas, no total de 46 fracções, com piscinas, jardins e parques de estacionamento.

Mas o projecto, que é hoje uma “viragem no percurso das Paredes”, foi outrora uma história que acompanhou mais de 14 anos da vida de João da Cruz Metódio. Em Setembro de 1991, o pedido de licenciamento da “Villa Vitória” deu entrada na Câmara de Alcobaça, que se pronunciou favoravelmente. Mas cerca de sete meses depois, a autarquia alcobacense voltava com a palavra atrás, alegando que o terreno era de sua propriedade. João da Cruz Metódio, que tinha em seu poder documentos de posse datados anteriormente a 1920, não hesitou e avançou com duas acções judiciais (no Tribunal Administrativo de Coimbra e no do Círculo de Alcobaça). Ao fim de 10 anos, foi pronunciado o veredicto e, através dele, desfeitas as dúvidas relativamente à propriedade do terreno: João da Cruz Metódio travou uma batalha e saiu vencedor, provando ser o único e exclusivo dono legal da área em causa.

Além dos anos perdidos nestes processos judiciais, o empresário viu-se ainda penalizado por uma nova situação: o projecto aprovado pela Câmara há mais de 10 anos estava ultrapassado e exigia alterações e ajustes profundos para que se coadunasse com a lei em vigor nessa época.

O novo projecto andou de secção em secção e de gabinete em gabinete durante mais cinco anos, findos os quais a Câmara emite aprovação final da “Villa Vitória”. Em finais de 2005 é levantada a primeira licença de construção e, de imediato, começam as obras de construção da primeira fase da villa com que o empresário sonhou durante anos. Mas, apesar de ser o “sonho” de João da Cruz Metódio, a “Villa Vitória” chegou também a ser o seu maior pesadelo: no período em que aguardou despacho favorável quer do Tribunal, quer da Câmara, o empresário viu-se de mãos atadas ao nível financeiro, dado que já havia investido elevadas verbas no projecto inicial e sua readaptação, tal como nos processos judiciais, sem poder obter qualquer retorno desse investimento. Diz, quem lhe é próximo, que aqueles foram anos vividos com “bastantes dificuldades financeiras”.

Quem o vê andar de um lado para o outro, sempre a tratar dos seus negócios, não imagina que são já 80 anos de vida que fazem a história de João Metódio. Oriundo de humildes famílias, viu-se reformado por invalidez da Cibra, ainda homem novo e cheio de energia. Lançou-se, então, por conta própria no ramo de fabrico de mosaicos de cimento, passando posteriormente para a indústria do ramo de mobiliário, à qual esteve ligado, com êxito, até à década de 90. Foi nessa época que decidiu investir na construção civil, quer em moradias, quer em pavilhões industriais.

E um dia sonhou mais alto: projectou a “Villa Vitória” com a mesma paixão e dinâmica que depositou em cada projecto da sua vida. “Foi neste projecto que depositou todas as economias provenientes das suas anteriores empresas e de toda uma vida de árduo trabalho”, garante quem o conhece.

Homem simples, sem qualquer grau académico, dotado de grande inteligência e visão empresarial aguçada, João da Cruz Metódio ainda reside na moradia que construiu após casar com Hortense Metódio, companheira de uma vida repleta de riscos e sucessos.

Considerado “ uma pessoa empreendedora, lutadora, com grande garra, vivendo exclusivamente para o trabalho e que desvaloriza todas as mordomias tão características de grande parte dos empresários”, João Metódio dispensa todos os luxos, à excepção de um: os Mercedes-Benz que desde sempre transportaram o empresário no dia-a-dia. E a esta paixão pela Mercedes junta-se a paixão pela Villa das suas três vitórias: a praia da sua eleição, a vitória na guerra travada contra a Câmara e a vitória de um homem de 80 anos que continua a viver e a sonhar como se tivesse 30.

Fonte: Jornal Mensário "Pataias à Letra
Colocada em 06-12-2010 às 10:04 por pataiasnet

Comentários  2 comentário(s)
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Subscrevo o comentáriodo Pedro Fortes da Silva.
Este e outras "obras de arte" nas Paredes são atentados estéticos, ambientais, e de ordenamento urbanístico graves, acabando por desperdiçar uma das mais valias desta aldeia: a sua inserção na paisagem em harmonia com a natureza.

Comentado por: raleonardo no dia 04-05-2011 às 15:54
Através de um colega soube da existência deste site.
Deparo-me então com a notícia “A Villa da "Vitória" de João Metódio”, à qual não detive muita atenção por, todos os anos pelo Verão quando volto às Paredes de Vitória, assistir a mais um atentado ambiental/urbanístico/estético/de ordenamento do Território. A meu ver é disso mesmo que se trata.
Julgo que salta à vista de todos que as vertentes acima do mesmo empreendimento são arenosas, logo instáveis se não contarem com vegetação que segure os arenitos.
Além disso, o dito empreendimento, junto com os restantes que se encontram no cimo da vertente (junto ao Parque de Campismo), são fruto da pressão urbanística a que a já referida praia não escapou. Mascarados de desenvolvimento, vão continuando a modificar a paisagem do nosso litoral e neste caso de uma praia pitoresca. O resultado está à vista, um conjunto de prédios sem cuidado estético algum, alterando em grande medida as características naturais do vale das Paredes.

Pedro Fortes da Silva
pedrofortessilva@gmail.com

Comentado por: pedrosilva no dia 09-12-2010 às 21:24
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